Nós e os juros

14 jun • Caso do Dia, NotasNenhum comentário em Nós e os juros

Closeup of Accountant Hands Counting on Calculator

O Banco Central americano, Fed, elevou os juros – a Selic deles – pela segunda vez em 2018, entre 1,75% e 2%, e, ao mesmo tempo, anunciou que o custo dos financiamentos subirá quatro vezes este ano. Tudo em nome ou temor de alta na inflação. É uma das coisas mais difíceis de explicar para um cidadão comum, como pode um país cuja economia vai bem colocar obstáculos para crescimento maior.

A era pré-Real

Inflação de demanda ou estrutural, essas coisas que nós brasileiros conhecemos tão bem – menos a geração que nasceu poucos anos antes ou depois de 1993, ano do Real – aumentam a dificuldade de entendimento. Consolem-se não só os brasileiros.

O conhecimento e sua falta

Essa impossibilidade do homem comum de fazer abstrações explica porque o brasileiro é ruim em matemática. Explica também porque a dificuldade em captar subtextos e o que está a poucos centímetros adiante do seu nariz. É uma condição que vem de longe e envolve a falta não só de leitura, mas a falta de conhecimento e o despreparo escolar.

Mea culpa

Esse é o nosso drama, conhecimento. O jornalismo também tem esse pecado, mas isso é papo para outra hora. Tem a ver com a maior qualidade que um repórter precisa ter, e sem ela ele não passará de um mero arrumador de palavrinhas nem sempre bem postas: a curiosidade.

Cacete!

Alguém postou no Face que os baianos chamam de cacetinho o pão de 50g, como nós gaúchos. No Rio, há estranheza quando se diz essa palavra. Até o corretor dos computadores não a reconhece. Mas corretor é burro, sabemos todos, menos quem o programou. Baiano não sei, mas gaúcho fala assim porque antigamente esse pão era duro e pequeno, um minicassete.

Seleção polar

Copa do Mundo fria como esta nunca vi. Vejo os jornais publicarem cadernos mais gordos que adolescente que se entope de fastfood e me pergunto se financeiramente há retorno ou se trata de tradição na cobertura. O valor Econômico de hoje publica uma matéria falando que as empresas relutam em investir na Copa.

Custo e benefício

Também me ocorre o seguinte. Os patrocinadores, ou parte deles, deixaram-se levar pela emoção e não detectaram esse desinteresse, relativo que seja, sobre a Seleção e sua Copa. E também tem aquela montanha de informações inúteis necessárias para fechar a edição ou servir de subsídios para intermináveis papos na TV e rádio. Bem, é o que temos nesse interregno.

Falta um zebrão

Escrevi no JC que é bem hora de aparecer uma zebra histórica na Copa da Rússia. Não sei se existe essa possibilidade, porque não sei da qualidade das seleções grandonas e das pouco lembradas, aqueles que ninguém bota uma ficha. Mas que seria bom dar uma sacudida, lá isso seria.

Ditadura gráfica

Tentem ler as palavras destacadas com amarelo nos textos da Zero Hora, tentem. E tentem ler blocos de texto com letras brancas em fundo preto sem dar uma paradinha a cada duas ou três linhas. Se conseguir. Vivemos a cultura da prioridade da moldura em vez da prioridade dos textos. Começou com os infográficos.

Jornal do Comércio

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Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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