Mister Roberts

22 out • A Vida como ela foiNenhum comentário em Mister Roberts

Mister Roberts era uma parada. Um americano alto e forte, parece que lutou na Guerra da Coreia e foi fuzileiro naval, era uma alegria retumbante. Veio dos Estados Unidos para auxiliar o colégio metodista de Montenegro. Era professor de inglês do segundo grau.

Enturmou rápido na sociedade, embora por trás das suas gargalhadas se ocultasse uma mente extremamente puritana. De vez em quando esse lado oculto da Lua quando alguém acendia o rastilho de alguma piada “obscena”, como eram descritas as anedotas que contávamos no início dos anos 1960. Só falar “bunda” já fazia senhoras e meninas prendadas desmaiar.

Então se você quisesse ver mister Roberts fechar a cara depressa era só começar a contar uma piada. Podia ser a do papagaio light nas suas sete ou oito versões, que hoje não fariam nem freira carmelita franzir o sobrolho, nem mesmo um leve erguer de sobrancelhas. E ele não esquecia dos autores, não. Levava na chincha, inclusive nas aulas de inglês que ele dava.

Mas era um tipo inesquecível, sem dúvida. Um dia ele fez uma poesia sobre seu automóvel, uma barca chamada Hudson Hornet 1951, obra literário que publicou no jornal O Progresso, no tempo que era do seu Maneca. Não lembro muito dela, só a frase “veloz como o vento”. Não sei se era veloz, mas o vento que deslocava era e muito, tamanhas as dimensões do possante. Mister Roberts adorava esse carro, e adorava passear com toda a família nos domingos de manhã, abanando para todo mundo.

Menos para mim. Ele nunca me perdoou pelas piadas de papagaio.

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