Mãos nos bolsos

27 mar • A Vida como ela foiNenhum comentário em Mãos nos bolsos

Uma das pegadinhas mais  notáveis que se fazia, nos verdes anos, era pegar um garoto simplório e perguntar quantas bolas ele tinha. Não se falava testículos. Primeiro, ele ficava desconfiado, mas, assim que se viravam as costas, vinha pergunta.

– Tenho duas, por quê?

Tem que entender que, naqueles tempos, a gurizada ainda brincava de mocinho aos 15 anos. Fazíamos um ar de pena, sacudindo a cabeça.

– Mas bá, todo mundo tem três! É defeito de nascença, que azar o teu.

Pelo menos um terço ficava desconfiado ou entrava em pânico depois de botar as mãos nos bolsos da calça para examinar os países baixos. Meu primo José Omar me aplicou essa quando eu tinha 8 ou 9 anos. Por sorte, avistei um touro no potreiro do meu tio e dei uma de voyeur.

Se o touro tinha só duas, porque os meninos deveriam ter três? Mas que botei as mãos nos bolsos, botei.

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