Lendas urbanas

28 set • A Vida como ela foiNenhum comentário em Lendas urbanas

O ator mais feio do mundo, Jack Palance, saiu de Hollywood e abriu um snooker na Azenha, na época abrasileirado para miniesnuque. Todo pé-sujo tinha um. Essa foi uma das lendas urbanas criada por jornalistas pândegos, nos tempos em que Porto Alegre era conhecida como Cidade Sorriso. Hoje, ela está banguela, essa velha dama que, de pudica, virou despudorada.

Também na Azenha dos anos 1960 surgiu a lenda da mulher fantasma, toda de branco com um véu esvoaçante, que se via mais de légua, segundo um capataz de fazenda em Viamão. Jurou tê-la visto na lomba do cemitério durante uma madrugada.

Descobriu-se depois que o causo era outro. Como tudo é natural, inclusive o sobrenatural, a fantasma era uma moradora de vila próxima, que arrastava homens para o escurinho e aliviava-os do fardo da carteira. Como a história era boa, ficou a lenda da fantasma do cemitério que se escondia entre os mausoléus, ou mosaléus, como falava o jornalista Tio Miro. Garota de programa fúnebre.

Alguns causos pareciam lendas, mas não eram. Em dezembro de 1968, a avenida São Pedro na altura da Farrapos encheu de um peixe pequeno e espinhento chamado manduim ou minduim nadava na água pra mais de metro, por efeito do rompimento de adutora do Dmae. No entrevero, o cardume foi sugado, de maneira que Porto Alegre foi a única cidade do mundo em que peixe nadava na avenida.

Também foi naqueles tempos que o Fogo Simbólico aceso na Pira da Pátria, em frente à Redenção, na João Pessoa, foi assassinado por uma lufada de vento mais forte bem na hora de uma cerimônia noturna. Ou veio das Minas Gerais com defeito de fabricação, sabe-se lá.  Fato foi que um brigadiano que fazia a guarda sacou de um isqueiro de campanha, desses com rodinha nas duas pontas e, com o sacrifício de uma folha de jornal serpenteando levado ao léu pelo mesmo vento, reacendeu o fogo sagrado da Pátria.

Todo mundo que viu, fingiu que não viu.

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