Façamos o Homem à nossa imagem e semelhança

3 out • ArtigosNenhum comentário em Façamos o Homem à nossa imagem e semelhança

Já me perguntaram, inúmeras vezes, qual a piada mais engraçada que conheço. Prefiro responder que, se o humor é a maior manifestação de inteligência humana, a historinha reproduzida abaixo é a mais inteligente de todas essas manifestações. Entre tantas e tantas que li ou ouvi ao longo de décadas, “Façamos o Homem à nossa imagem e semelhança” sem sombra de dúvida é a número um. O Homem, ao longo dos séculos, tem levado esse miniaforismo ao pé da letra, e vem tentando igualá-Lo e, até, sobrepujá-Lo… Essa historinha é uma pequena amostra, com um final surpreendente, desta vã e ridícula investida. Espero que, após lê-la, me deem razão.

Após inúmeras tentativas mal sucedidas ao longo de muitos anos, determinado cientista comunicou, com muita pompa e circunstância, a toda comunidade científica:

– A partir de hoje, estamos colocando a ciência em pé de igualdade com a religião. Os resultados obtidos nas minhas últimas experiências comprovam que é possível criar vida a partir do nada. O dia de hoje passa a ser um marco, pois nós, homens de ciência, passaremos a criar a vida, exatamente como Deus fez no princípio dos tempos.

Seus colegas, que assistiam a entrevista coletiva, imediatamente ficaram de pé e  passaram a cumprimentá-lo e abraçá-lo entusiasticamente, quando se ouviu uma voz trovejante vinda dos céus.

– Meus parabéns – disse a voz. Mas, por favor, diga-Me mais sobre como criar a vida.

– Bendito sejas Tu, ó Senhor, respondeu o pesquisador. Posso afirmar, sem medo de errar, que é possível, usando apenas um punhado de barro, exatamente como Você fez, dar-lhe forma, gerar vida, enfim, criar um homem.

– Bem, é uma teoria interessante – responde Deus, bem humorado. – Gostaria de assistir como é feito.

Todos os presentes, extasiados por vivenciar aquele momento único e histórico, saem para fora do prédio em silêncio absoluto e respeitoso. O cientista, cheio de si e entusiasmado, abaixa-se, pega um punhado de terra, mistura com um pouco de água e, utilizando a sua invenção, começa a moldá-lo.

– Oh, não – interrompe Deus contrafeito – por favor, use o seu próprio barro, não o que Eu criei…

Esta e outras histórias fazem parte da coletânea ”5777 Anos de Humor Judaico”, autoria de Davi Castiel Menda, a ser lançado na Feira do Livro em novembro de 2016.

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