Drible na morte

4 set • A Vida como ela foiNenhum comentário em Drible na morte

Bar Pelotense, rua Riachuelo, 1975, 11h de sábado. Dois senhores de idade entram, sentam em uma das mesas de mármore com ferro trabalhado. Vem o garçom Elpídio, comanda na mão, Bic atrás da orelha.

– Dois chopes, rápido.

Muita sede. Assim que os copos chegam à mesa, eles fazem um brinde batendo os copos, e bebem como se viessem do deserto. Mal estavam na metade ouve-se um barulho estranho vindo do alto pé direito da casa. Um pesado ventilador de teto de pás metálicas se desprende e mergulha direto. Espatifa-se e espatifa a mesa. Por milagre, bem na hora em que os dois estavam curvados para trás, bebendo. Houve um silêncio atônito no recinto, até que um deles levantou o dedo.

– Mais dois.

O garçom trouxe pressurosamente os chopes. O mais velho levantou e falou como se estivesse em campanha.

–  Olhem só nossa sorte dupla. Saímos de Barra do Ribeiro de manhã, e ao entrar na BR-116, um caminhão pegou nosso Opala de cheio, perda total. Não sobrou nem a tampa do porta- luva. E nenhum de nós teve um só arranhão! E agora vem essa do ventilador assassino.

Sentou e pediu mais dois chopes. Desta vez, todos os fregueses brindaram junto. Até o Elpídio, com seu reluzente dente de ouro, acompanhou o brinde.

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