Diário de uma Vida Nova

29 mar • Caso do DiaNenhum comentário em Diário de uma Vida Nova

Bolo inglês
Dia 17

O bolo inglês

Depois de seis dias de comida de hospital, literalmente, os ventos da boa comida começaram a enfunar as velas do meu barco. Ontem completei sete dias da cirurgia. Tirando algumas dores no abdômen, o mais evolui a cada dia que passa. Então, na noite do sexto dia, juntamente com o jantar, ganhei um bolo inglês, que vocês chamam de muffin – que vem a ser o  mesmo bolo inglês nascido em bairro nobre.

Era enorme, doce, sabor desconhecido, mas também não dei muita bola. Ontem, ao meio-dia, outra agradável surpresa: comida de verdade. Carne de panela, farofa com passas e arroz. Uma maravilha. À noite, mais uma boa notícia: peito de frango, jardineira de legumes e arroz de verdade.  O que mais precisa um homem para ser feliz?

Quando veio o segundo bolo inglês, no lanche, o enfermeiro Jhonatan – que estava trocando o curativo – exclamou em alto e bom som:

– É de laranja.

Se tem uma coisa que não precisa dizer o quanto é bom é sentir o cheiro de comida boa. Meu olfato melhorou, o que deve ser efeito colateral do tumor que tiraram de mim.

O barbeiro

Como já escrevi antes, a biópsia dos países do meu conesul – intestino, estômago etc – só sairá no início da próxima semana. Nunca se sabe o que vai dar numa biópsia. Mas já estou me precavendo. Vou economizar dinheiro, se der positivo.

Explico: Normalmente, a quimioterapia, que terei de fazer, se for o caso, faz com que você perca cabelo. O meu, que não é grandes coisas, parece um cerrado de meio-oeste, tende a crescer somente na nuca, o que obriga a cortá-lo a cada seis semanas. Como eu pago R$ 30,00 para o barbeiro Paulo, em um ano economizarei R$ 270,00.

Eu sei o que vocês estão pensando. Mas peruca, jamais! É contra a minha religião. Se eu me tornar pálido, como é comum nesse tipo de tratamento, pelo menos afugentarei a multidão de mulheres que me assediam sem parar. Como ficarei mais feio, se isso é possível, pelo menos metade delas não vai querer nada comigo.

É chato ser… (Neste momento, Fernando Albrecht apanhou de toalha molhada da senhora Maria da Graça, sua mui digna consorte). Curativos feitos, segue-se o relato.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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