Diário de uma Vida Nova

2 abr • Caso do DiaNenhum comentário em Diário de uma Vida Nova

As vantagens do hospital

Caso vocês não tenham se dado conta, faz quatro anos que a Lava Jato está em capas ou manchetes de todas as plataformas de mídia. Para dizer a verdade, e sendo sincero, eu não aguentava mais ler e ouvir sobre a operação. Não que eu defendesse os acusados ou quisesse fugir do tema. Mas ponham-se no meu lugar, tendo de escrever diariamente sobre o mesmo assunto, com poucas variações, incluindo personagens novos e com as mesmas indefinições quanto ao desfecho de condenação dos réus ou investigados.

Como sabem até as torneiras das pias do meu banheiro no hospital São Francisco da Santa Casa, as últimas decisões das Cortes Superiores parecem ter colocado como lema aquele trecho da música de Adoniran Barbosa (que virou nome de um grupo teatral) cantada pelos Demônios da Garoa: “Voceis pensam que nóis fumos embora / Nóis enganemos voceis / Fingimos que fumos e vortemos / Ói nóis aqui traveis”.

Enjoo

É como comer vários quindins todos os dias durante quatro anos. Você não quer mais ver quindim nem na outra encarnação. Por isso, falo em vantagem do hospital. Só vejo o mínimo indispensável de noticiário da TV. Longe de mim assistir debates intermináveis sobre o mesmo assunto mudando só as palavrinhas e conceitos. Não há mais surpresa ao Sul do Equador.

Batata

Outro valor culinário que revisitei nestes dias de penúria gastronômica: batata palha. Eu odiava batata palha. E quanto mais eu manifestava essa repulsa, mais a colocavam no meu prato. Pois mudou. Dias desses, veio um bife com molho, batata palha e arroz. Com maldade, espremi o molho do bife e o próprio bife como se fosse uma toalha molhada e afoguei o derivado deste tubérculo. Como um bom alemão, gosto de tudo que é feito de batata, purê, frita, a vapor, noisette, corada, e, agora, batata palha. Mas atenção, desde que  haja algo sumarento por perto para afogá-la.

Contrabando

Com a devida licença do meu clínico Dr. Antonio Azambuja, defensor dos fracos e oprimidos, ou, como diria o colega Flavio Dutra, dos frascos e comprimidos, minha mulher, Maria da Graça trouxe um bolo comum e um potinho de mel para alegrar os meus cafés da manhã. Na primeira fatia que botei na boca, quase desmaiei de emoção. Tanto que só comi o bolo uma hora depois, para evitar desmaio. Melhor ainda que minha glicose é baixa. Então, não é esse o meu maior problema.

Torta

Depois que eu estiver plenamente recuperado, vou comprar uma torta de nozes com ovos moles e comê-la inteirinha de uma vez só, acompanhada de um balde de sorvete de baunilha, pistache e algo mais azedinho para contrabalançar.

Resumo do meu quadro clínico

Alta prevista para o início desta semana. Se ninguém botar rosca na minha sopa. Resultados dos exames que ainda faltam, para ver se células malignas escaparam, ficarão prontos mais para o final da semana. De qualquer maneira, se tiver que fazer quimio, o pior já terá passado. E mais uma vez fico extremamente grato com as maciças manifestações de solidariedade em todas as redes sociais e por e-mail. Eu não esperava nada disso.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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