Como nascem os traficantes

16 set • ArtigosNenhum comentário em Como nascem os traficantes

30-09-152
Vem aí o filme inspirado no colombiano Pablo Escobar, e quase ao mesmo tempo temos a história do El Chapo, sua fuga e o enterro apoteótico do mafioso Casamonica na Igreja de Giovanni Bosco, onde um helicóptero, apesar de proibido, jogou pétalas de rosas em baixa altura durante todo o cortejo e isto, em Roma. No Rio ou São Paulo, as autoridades libertam um traficante conhecido, que tinha 1500 quilos de um pozinho branco caríssimo. A pick-up da polícia, feita para só 1500 quilos, chegou a ficar baixinha.
Estarrecido eu parei de ler e fiquei pensando, não sei se amaríamos os personagens, mas certamente amamos a forma que Hollywood os apresenta. Sejam “Bonnie and Clyde”, seja “Um Butch Cassidy” e o “Sundance Kid”, cuja cidade Sundance eu estive e é também o nome da penitenciária antiga e tão bonita que é mostrada com orgulho. Bem, o pistoleiro “Sundance Kid” entrou e saiu tantas vezes que herdou o sobrenome do presídio “O garoto de Sundance”.
Ambos não morreram na Bolívia, só quem morreu na Argentina, ou já no Chile foi a Etta Place, como decorrência de doenças adquiridas na prostituição (provavelmente sífilis) antes da aventura na América Latina, aliás, para quem vai à Patagônia não custa ir até lá, o lugar que se chama Cholila.
Ali era a sua fazenda, que hoje pertence à família Beneton, onde criam ovelhas, fica a uns 300 quilômetros ao sul de Bariloche, a estrada não é asfaltada, portanto você precisa de um carro alto, tração em duas rodas chega. Tem muitas pedras, mas seixos de rio que não cortam pneus.
Tudo isso vale a pena, pois você estará numa belíssima estrada: a lendária Ruta 40 (citada por Bruce Chatwin e Paul Thereaux em seus livros). É bom lembrar que nos dois filmes os personagens eram ladrões pistoleiros… já no filme que vem aí, um deles brasileiro, com Wagner Moura no papel de Pablo Escobar é a “Assenção do Cartel de Mendelim”, para isto Wagner Moura estudou espanhol por cinco meses (mas dito pelos críticos colombianos, de nada adiantou) para encarar o bandido que trocou o contrabando pela produção e tráfico, tornando-se um dos homens mais ricos do planeta.
A figura de Escobar desperta sentimentos antagônicos entre os colombianos.
– Fui ao bairro Pablo Escobar, construído por ele, diz o Wagner Moura. Pablo deu 2 mil casas aos pobres que viviam em um lixão. A primeira coisa que se vê lá é uma foto dele em um muro e, ao lado, a imagem do Menino Jesus, como tivemos aqui, a 200 metros do Palácio da Polícia, um painel com o traficante local. Mas Pablo também inventou o narcoterrorismo. Ele chantageava o Estado, e as vítimas das bombas de Pablo são muitas. É por isso que ele é um personagem tão intenso, é amado por muita gente, e claro, odiado por outros:
– Quando a gente diz que o americano médio não entende o que está acontecendo, é bom dizer que o brasileiro médio também não entende. Aliás, quanto tempo demorou para o brasileiro entender o esquema de corrupção do qual muitos políticos fazem parte? Muita gente passou um tempão negando isso. Eu tenho amigos que negam o mensalão, bem, negavam… Como pode?
– É o meu primeiro papel como um vilão, mais do que de uma vítima. Eu gostei. Por que não ir ao encontro do nosso lado mais escuro? (Wagner Moura).

Flávio Del Mese

Flávio Del Mese nasceu em Caxias, mas tem quase certeza que sua cegonha passou a baixa altura e foi abatida. Isso frequentemente acontece com quem voa por lá, sejam sabiás, tucanos, corujas ou bentevis, mas não tem queixas. Foi bem recebido tanto na infância quanto na juventude, assim como em Porto Alegre, onde chegou uns 15 anos depois, já sem cegonha e a cidade o embala com carinho até hoje. E ele sabe do que fala, pois conhece 80% dos países do globo. Na Europa só não esteve na Albânia, da América só não conhece a Venezuela (prevendo quem sabe, que do jeito que vamos, em breve seremos uma Venezuela). Na Ásia, não passou pela Coréia do Norte e pelo Butão, mas à China foi 6 vezes e também 6 vezes esteve na Índia, sendo que uma delas deu a volta no país de trem, num vagão indiano, onde o até hoje, seu amigo Ashley, tinha uma licença para engatar o seu vagão atrás das composições cujos trilhos tivessem a mesma bitola. Sua incrível trajetória de vida é marcada por uma sucessão de acasos que fizeram do antigo piloto da equipe oficial VEMAG (vencedor de 5 edições de Doze Horas), em um dos fotógrafos mais internacionais do Brasil. Tem um acervo de 100 mil fotos- boa parte delas mostradas nos 49 audiovisuais de países que produziu e mostrou no Studio durante 20 anos e que são a principal vitrine do seu trabalho (inclusive o da volta na Índia de trem). Hoje dedica-se a redação e atualização dos Blogs Viajando por viajar e Puxadinho do Del Mese com postagens sete dias por semana.
Extraído de reportagem:
Ademar Vargas de Freitas
Clóvis Ott
Juarez Fonseca
Marco Ribeiro

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