As regras do canguru pioram a chiqueta

11 ago • A Vida como ela foiNenhum comentário em As regras do canguru pioram a chiqueta

 Na língua da gente do campo na Fronteira Oeste, existem muitas preciosidades de adaptação de termos estranhos para essa gente. No mundo das drogas, que assusta a peonada e as domésticas, especialmente. Estas foram coletadas ao longo dos anos pela nossa família. Traficante vira cetificante, e se alguém fizer gato na luz, a ligação clandestina é prolestina. Camburão vira canguru, e se querem saber, faz todo o sentido. Afinal, camburão leva presos e o marsupial símbolo da Austrália leva seu rebento na bolsa.

 Antigamente, o sinal da TV pegava muito mal por falta de repetidoras, mas, aos poucos, tudo foi melhorando, inclusive os televisores, algumas TVs eram de plasta em vez de plasma. Menos mal que a criançada tivesse alguma diversão no interior dos interiores, em vez de aprontar alguma para que não fosse preciso acionar o Conselho consolar.

 Fast food demorou a pegar no interior, o bom era pão com linguiça, mas o catchup já era conhecido pelas cozinheiras de galpão, que o chamavam de chup-chup. Os cuidados com a alimentação exigiam mais atenção, para que os níveis de nicose no sangue não fossem muito altos. Melhor não comer muita costela gorda para não entupir a veia lautéria, que o doutor chama de veia artéria. Aí era bom ir ao médico na cidade e fazer um elétrico, o eletrocardiograma.

 Mas para uma coisa não adiantava comida saudável ou exames preventivos, quando a chiqueta atacava – a enxaqueca. Pior que ela só quando vinha no período da misturação, ou menstruação. Acho que a TPM ainda não tem tradução campesina. Aliás, até pouco tempo, na cidade, menstruação era algo constrangedor, então, as mulheres ficavam com as regras. Que está no dicionário.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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