A revolução do Spica

5 jul • A Vida como ela foiNenhum comentário em A revolução do Spica

spica

 O primeiro rádio portátil transistorizado que apareceu foi o japonês Spica, em 1956/7. Foi uma revolução, porque até então os aparelhos tinham válvulas e eram enormes, até que o nanico transistor botou o mundo em outro patamar. Era maior que os atuais, tipo um terço de uma caixa de sapatos masculinos, mas era portátil. A ironia é que a invenção foi holandesa, mas quem tornou a aplicação prática foi um certo Akio Morita, o fundador da Sony. O transistor foi inventado em 1947.

 Havia um problema com as vendas. Até então, qualidade de áudio era associado ao tamanho, eram quase móveis, faziam parte da decoração das casas, então os consumidores torciam o nariz até que se renderam ao inevitável. O Morita era tão sábio que o nome Spica veio da pronúncia de speaker, locutor de rádio. Outra história é como a empresa venceu a resistência dos lojistas à novidade.

 Os vendedores do Spica diziam que os lojistas só acreditariam que ele fosse portátil se coubesse no bolso do casaco. O que fez a Akio Morita? Aumentou os bolsos das roupas dos vendedores. Outro caso saboroso de marketing é gaúcho. Conta-se que o fundador das Lojas Colombo, Adelino Colombo, aproveitava as manhãs de domingo quando os gringos das cidades da colônia italiana iam à missa e pendurava os Spica no galho da árvore mais próxima da casa. E ligados.

 Nunca li um estudo mais aprofundado sobre o sucesso da novidade, mas estou convicto que foram as mulheres que influenciaram os maridos, ou pais, a comprar o pequeno rádio. Durante os afazeres domésticos, podiam ouvir as radionovelas a tiracolo sem interrompê-los.

Imagem do blog jamesbutters.com

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