A infestação

3 dez • Caso do Dia, NotasNenhum comentário em A infestação

Não é todo mundo, claro, mas não é só no andar de cima que tem ladrão neste bendito país. Uma parte da camada mais pobre entra nessa com sofreguidão. Em matéria de furtos, os supermercados têm um índice muito superior aos congêneres de outros países, para ficar só nesse segmento. E o prejuízo anual é na casa de bilhões, podem crer. Perguntem para a ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados) e sua congênere gaúcha, a AGAS. Bobeou, o consumidor pega e depois vende em tablados na rua ou consome em casa.

Até na água…

Nas falsificações, então, somos piores que os asiáticos. Não só revendemos produtos roubados ou contrabandeados como também fazemos engenharia fraudulenta caseira. Água mineral sem gás vendida nas ruas é quase sempre água mineral torneirol, quando não de origem pior. Podem observar que quase nunca vendem água com gás, porque o processo de injetar CO2 seria antieconômico.

Mineral Dilúvio

Fosse só nas ruas, seriam cavacos de ofício. Mas até alguns mercadinhos entram no jogo. Eu sei, fui vítima há poucos dias. Levei para a academia e quando abri estranhei como a tampa abriu rápido. Marchei, conclui instantaneamente. E marchei mesmo. Duvido que a engarrafadora, marca tradicional e séria, tenha feito isso, então o cara comprou de um empresário da indústria de água da torneira. E se for dela, agradeça aos céus que não seja água do arroio Dilúvio.

Esperando Godot

chaminé

Aquele que nunca vem, como na peça do teatrólogo Samuel Beckett, aquele que nunca vem, é uma boa metáfora para a baixa densidade habitacional vertical na Zona Norte puxando para Noroeste de Porto Alegre. Quase não há prédios residenciais altos, e as construtoras se defrontam com a relativa má imagem do 4º Distrito. A chaminé da antiga Cervejaria Brahma hoje ornamenta o Shopping Total

Como eu era bonito

A ironia é que o bairro, ou bairros, possuem toda a infraestrutura de água, esgoto etc. Até os anos 1960, com destaque para as décadas de 1940 e 1950, o 4º Distrito se orgulhava de independer do Centro da capital gaúcha. Tinha comércio pujante, indústrias fortes, Carnaval próprio, idem festas temáticas como o Natal e a Páscoa, clube social (Gondoleiros), grupos de teatro (Grupo dos 16) e até mesmo elegiam o mesmo vereador como seu representante, Aloísio Filho, hoje nome do prédio da Câmara Municipal. Sobretudo, a população tinha um orgulho danado do seu bairro.

Pouca esperança

Por que houve esse declínio? Para começar, a perda de glamour, o esvaziamento econômico, vizinhança de cara feita, e outros motivos. Se fosse nas grandes cidades americanas, a prefeitura revitalizaria toda a região oferecendo estímulos fiscais para atrair construtoras e compradores. Mas esqueçam. Aqui nunca deve acontecer algo parecido neste milênio.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

FacebookTwitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

« »