A Feira da Mônica

27 ago • A Vida como ela foiNenhum comentário em A Feira da Mônica

Houve época em que a aproximação da Expointer alvoroçava as casas que abrigavam moças de vida airosa, mais conhecidas como garotas de programa. Era tempos dos cabarés, em que a boate Mônica, no Cristal, era conhecida em todo o Brasil e turistas ou homens de negócios, especialmente paulistas e cariocas, já haviam pedido champanhe (a legítima) para o garçom Jorginho. As mulheres arrodeavam os fazendeiros como mariposas giram em torno de lâmpadas, no caso lâmpadas com muito dinheiro na guaiaca.

A partir dos anos 1980, os cabarés começaram a perder o brilho e deram lugar às boates como a Gruta Azul, na avenida Farrapos, no que eu chamava de Distrito Erótico de Porto Alegre, avenida que abrigava clusters dessa atividade. Mas o esquema era o mesmo, a caça ao pecuarista e produtores rurais de outros estados e até de estrangeiros que vinham conhecer a feira agropecuária. Cartões de visita com telefones trocavam de mãos, porém, a discrição ainda imperava.

O primeiro baque concorrencial se deu quando boates de cidades vizinhas como Novo Hamburgo também entraram com avidez neste mercado. Paralelamente, chegava também ao fim o tempo em que ser fazendeiro significava ter muito dinheiro. Só a esquerda não sabe que a pecuária tradicional não dá grande renda e, às vezes, nem renda dá. Comparado com o patrimônio, o valor da terra, a pecuária sempre deu retorno baixo.

Hoje, esse mercado erótico definha. Não que não exista, mas as casas tradicionais como a Gruta e, mais recentemente, a Tia Carmen desapareceram. A informalidade tomou conta via internet. Ninguém mais manda baixar champanhe francesa e uísque escocês para a mesa na qual as mulheres borboleteavam a fim de fisgar um bom programa e, quem sabe, um marido de papel passado. Acontecia.

Assim como o Carnaval, que não tem mais cheiro de lança no ar, esses tempos acabaram para sempre.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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