A fantasma

13 abr • A Vida como ela foiNenhum comentário em  A fantasma

Na minha infância, em São Vendelino, morávamos ao lado do Cemitério Luterano. Então, eu tinha intimidade com os mortos, desde que eles não saíssem a passear, especialmente de noite. Como todo piá, considerando-se que à noite todos os gatos são pardos, quando eu ia para a casa do meu tio – que ficava no lado aposto -, prudentemente cobria a parte do rosto que dava para o cemitério, com uma fileira de ciprestes centenários.

Certa vez, a prima Iara veio para pousar alguns dias conosco. Como toda citadina, assustava-se com os fantasmas do campo. Em uma madrugada, acordamos com seus gritos. Ela estava vendo um fantasma no maior mausoléu do campo santo, que ficava bem no meio da área. Corri para ver e, de antemão, engatilhei uma gargalhada. Parei antes. Realmente, havia um vulto branco em cima do túmulo.

Para  encurtar o causo, era um vaca leiteira fugitiva do seu Inácio “Notz” Schneider. Nunca vi fantasma dar leite.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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