A derrocada final

2 out • A Vida como ela foiNenhum comentário em A derrocada final

O século XX está desaparecendo. Os grandes artistas, os grandes cantores e cantoras, cientistas que fizeram descobertas notáveis apesar da precariedade tecnológica da época, todos morreram ou estão morrendo. Neste final de semana que passou, foram-se Tito Madi, Ângela Maria e o francês Charles Aznavour.

O que tinham em comum o francês e a Sapoti Ângela? Cantaram até o fim, ainda faziam shows, gravavam discos. Não pararam. Tenho por mim que o sujeito que veste pijama optou pelo caminho mais curto para o cemitério. Você para no tempo e, mesmo se mantendo atualizado, seu raciocínio está parado no dia hora e ano em que você parou de trabalhar e não fez nada para preencher esse vazio.

E quando falo em vazio falo em ter até alguma coisa para se incomodar. Não a ponto de machucar e doer, mas para se incomodar. Vejo isso com amigos que saíram da ativa aos 50 ou 60 anos, quase sempre funcionários públicos ou de estatais.

A coisa mais vexatória num aposentado é vê-lo de pijama ou bermuda sentado na frente da casa ou prédio olhando as bundas das mulheres que passam. É a derrocada final.

Fernando Albrecht é jornalista e atua como editor da página 3 do Jornal do Comércio. Foi comentarista do Jornal Gente, da Rádio Band, editor da página 3 da Zero Hora, repórter policial, editor de economia, editor de Nacional, pauteiro, produtor do primeiro programa de agropecuária da televisão brasileira, o Campo e Lavoura, e do pioneiro no Sul de programa sobre o mercado acionário, o Pregão, na TV Gaúcha, além de incursões na área executiva e publicitário.

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