A cachaça milagrosa

30 jan • A Vida como ela foiNenhum comentário em A cachaça milagrosa

Até os anos 1980, a gasolina comum tinha um aditivo antidetonante para aumentar a octanagem da gasolina. Era um produto tão perigoso que o tonel ou similar onde tivesse sido armazenado não podia ser usado para mais nada. Nada mais podia ser estocado nele, líquido ou sólido. Cancerígeno, destruía de imediato as cédulas hepáticas. O aviso era impresso bem claro na lateral e tampa.

Certa feita, estava eu na praia quando um garçom que eu conhecia dos bar-chopes de Porto Alegre me reconheceu. Já não era mais garçom, era gerente de um grande bar-restaurante localizado quase na beira da praia. Orgulhoso do seu novo emprego, insistiu que eu conhecesse o estabelecimento. Lá fui eu ver o que esse tipo de negócio sempre tem.

A última parada foi em uma peça onde eram preparadas a caipirinha, que a casa vendia aos hectolitros. Para meu espanto, a mistura era guardada em um tonel de 200 litros que serviu para armazenar gasolina com chumbo tetraetila. O aviso de proibição de reuso estava bem visível. Chocado, chamei a atenção dele para a proibição. Sua reação:

– Não tem problema. A cachaça limpa tudo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

« »