• A revolução do xispa

    Publicado por: • 15 mai • Publicado em: A Vida como ela foi

    Os ativistas e sindicalistas que estavam nas galerias da Câmara dos Deputados cometeram strip-tease, tirando as roupas e botando a bunda em direção às suas excelências. Aqui e acolá ouvi gente dizendo que ficar pelado não era novidade, mas botar a bunda na janela era algo relativamente revolucionário.
    Besteira. Nos anos 1960 essa bundeada era conhecida em Porto Alegre como “xispa”, e só não sei se era termo importado de São Paulo ou de outro estado. Mas muito mais audacioso. O cara sentado ao lado do motorista de um carro, geralmente fusca, tirava as calças e colava a bunda no para-brisa.
    Imaginem a cena: pessoas caminhando na calçada e de repente passa um traseiro como se passageiro fosse. O cérebro leva algum tempo até processar a informação, de maneiras que passada a estupefação e a entrada da indignação os moleques já estavam longe.
    Exigia coragem, porque a Polícia era acionada em seguida, por isso a audácia geralmente acontecia à noite. Mas houve casos no bairro Ipanema em dias de verão. Quem fizesse isso era chamado de playboy, filhinho de papai, degenerado sexual e por aí afora.
    Era o máximo da depravação, punível com o sétimo círculo do Inferno de Dante

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  • Histórias do Lauro

    Publicado por: • 13 mai • Publicado em: A Vida como ela foi

    Faleceu aos 85 anos o radialista Lauro Hagemann, o famoso titular do Repórter Esso gaúcho durante vários anos, no início dos anos 1960. O Rio Grande do Sul se quedava diante do rádio, então o grande veículo de comunicação social, especialmente nos anos de 1950, para ouvir o Repórter Esso, “o primeiro a dar as últimas”. O locutor, inigualável, era Lauro Hagemann, que era do velho Partidão, o Partido Comunista Brasileiro. Quando deixou a Rádio Farroupilha, coincidiu que a então poderosa Rádio Guaíba de Breno Caldas estava contratando locutores. A emissora não tocava jingles, era um comercial seguido de duas músicas – por birra de um diretor ou gerente, a Guaíba não tocava tangos, vejam só. Lauro entrou na fila dos candidatos. Casualmente, o doutor Breno, como era chamado, passava por ali e perguntou o que ele fazia na fila.
    – Vim fazer o teste para locutor, respondeu. Breno Caldas pegou-o pelo braço, tirou-o da fila, e disse-lhe:
    – Não precisa testar, estás empregado.
    Correto, Lauro, alertou o futuro patrão que era filiado ao PCB. A resposta:
    – Aqui serás locutor, e um dos melhores. Lá fora, a tua opção política é problema teu.
    Duas pessoas corretas, embora ideologicamente opostas, como diz o jornalista Roberto Brenol de Andrade. A verdade é que até o início dos anos 1980 se fazia política em outro nível.

    Os opostos defendiam com ferocidade suas ideias nos legislativos. Porém, findo isso, ambas as partes não se trucidavam como hoje. Por sinal, a entrada do PT no jogo partidário foi esse divisor de águas.
    Como epílogo, cá vai este causo. Nos anos 50, um bom vivant chamado Mandico, a quem conheci nos verdes anos do Restaurante Dona Maria, um pândego de primeira, criou um quadro humorístico em uma rádio de Porto Alegre que parafraseava o slogan do Repórter Esso, o Rerpórter Osso, “o último a dar as primeiras”. Teve vida curta. A Farroupilha veio com tudo em cima do Mandico.

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  • A insônia japonesa

    Publicado por: • 11 mai • Publicado em: A Vida como ela foi

    Quem tem insônia ou dificuldades para dormir ouve rádio, ou faz palavras cruzadas. Tem gente que pega no sono com o monólogo da mulher deitada ao seu lado. Só exige um treinamento, o de dizer “hmm” de vez em quando. Isso é programável. Falando por mim, a TV é o maior sonífero que existe. O problema é que nessa minha profissão você é treinado para ver e captar palavras-chave, que imediatamente te deixam esperto. Digamos que eu sou um ótimo cão treinado por Pavlov, ou como um dos tantos softwares de filtros de palavras-chave ou padrões de fluxo, e até da falta dele. Então eu vivia acordando bem na hora que começava aquele estágio do soninho gostoso. Falei no tempo passado porque hoje nem durmo mais, desmaio.
    Voltando à vaca fria. Logo que surgiu a TV por assinatura, e descontado programas que realmente eu gostava e gosto de ver, eu deixava a TV ligada no canal de notícias japonês NHK. É difícil entender qualquer coisa dos nipônicos, então aquele rosário de palavras monocórdicas e ininteligíveis me conduziam rapidamente para os braços de Morfeu. Até o dia em que meu software começou a ficar alerta até para japonês. Deu-se assim: meu quase-sono fluía calmo e sereno quando aconteceu o desastre. Meu sono fluía tranquilo como as nuvens das Eternas Planícies dos índios norte-americanos quando uma palavra captada pelo meu sonar destruiu meu dormir, um som no meio de uma frase do âncora, umazinha só, mas destruiu meu dormir.
    – …Brasil…
    Desde aquele tempo não consigo mais dormir quando sintonizo no NHK. Como os computadores da NSA, até a ausência de fluxo os deixa alerta

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  • Duas alemãs

    Publicado por: • 29 abr • Publicado em: A Vida como ela foi

    Dou-lhe uma…

    O cara está num bar, bebendo cerveja. A cada copo bebido, tira uma foto do bolso e a contempla. Depois da sexta cerveja, o barman pergunta-lhe porque faz aquilo. O homem responde.

    – É a foto da minha mulher. Quando eu começo a acha-la sexy, aí pela quarta cerveja, vou para casa.

    …dou-lhe duas

    Baile de kerb em cidade do Vale do Caí. Um nativo que melhorou de vida na cidade grande voltou para a terrinha para procurar uma mulher para casar. Olha em volta e vê uma que é muito bonita. Sem titubear, vai até a mesa onde ela está com os pais e a tira para dançar. Ela aceita. A bandinha tocava a valsa “Amor de pobre”. Os dois rodopiam no salão. Quando a valsa chega ao fim, ele engrena uma primeira.

    – Como é teu nome, uma veiz?

    – Chisele.

    Ele abre um largo sorriso.

    – Och! O mesmo nome da minha moto!

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  • A idiotice perfeita

    Publicado por: • 27 abr • Publicado em: A Vida como ela foi

    “…acostume-se com a posição correta do corpo para executar a tarefa de amarrar o calçado com segurança. O risco de perder o equilíbrio é grande quando se faz isto com o corpo curvado ou abaixado. Uma boa posição é apoiar o pé do sapato a ser amarrado no degrau da escada, por exemplo, e manter o outro no chão, com atenção para não perder o equilíbrio. Sentado é a posição mais segura. Crianças podem sentar no chão e pessoas idosas ou com problemas de saúde podem sentar na cadeira e usar um banco mais baixo para apoiar o pé. Escorado ou apoiado nem sempre é uma boa opção.

    Seja eficiente ao dar o laço para que ele não solte facilmente. Mas, como manter o laço firme? Após dar o laço, segure o cadarço no ponto entre o buraco do sapato e o nó do laço com os dedos polegar e indicador, dos dois lados dos passadores, um com cada mão, e puxe para as laterais. O primeiro nó ficará mais firme e o laço tenderá…”

    Esse texto acima é apenas parte de um minucioso manual da arte de amarrar os sapatos. De certa forma é um resumo dos tempos atuais. Mandamos sondas pousarem em asteroides do tamanho de uma cancha de basquete e até Marte, a Voyager está viajando há mais de 30 anos espaço sideral afora, estamos em pleno desenvolvimento de carros sem motorista, e ainda precisamos de manual de amarrar cadarços, cáspite!!!

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