• Bombeiros de jujubas

    Publicado por: • 20 nov • Publicado em: Caso do Dia

     Alguém me enviou um vídeo ensinando como apagar incêndio com Coca-Cola. Não precisa de vídeo para entender. Pegue uma garrafa Pet, de preferência de dois litros da “água negra do capitalismo”, como diziam os italianos, sacuda bem e aponte para o foco do fogo e tire o polegar. Vai ser uma melecama, mas, se não for de grandes proporções, como escrevem os rapazes da reportagem policial, dará conta do recado.

     Então eu vou melhorar esse extintor. Compre jujubas e coloque algumas dentro da garrafa. Em segundos, o refrigerante vai jorrar mais alto que poços de petróleo que se viam nos filmes dos anos 1950. Proceda da mesma forma. Se não apagar pela Coca, vai apagar pelo jato de ar.

     Como bombeiro involuntário que sou, neste caso, sugiro que os supermercados atem nas garrafas Pet um pacotinho de jujubas. Aí é o pacote completo, um senhor serviço de utilidade pública. Se for beber, guarde as jujubas para uso futuro.

     Contam que lá pelas bandas da Piedade, perto de São Vendelino, um sujeito apelidado de Planchón (Planchão, por causa da largura dos pés, que pareciam lagartas de tanque) certa vez, apagou um incêndio em fardos de alfafa saídos da prensa da venda do seu Franz Josef de outra forma, com ventos de retaguarda. Antes de ser bombeiro à ré, o Planchón tinha comido feijão, chucrute, cinco ovos duros e meia melancia passada de sobremesa. Tenho minhas dúvidas sobre a veracidade do caso, até porque essa mistura é altamente inflamável.

     De forma que as chamas não foram debeladas por ele. Foi ele que começou o fogaréu.

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  • Os causos do Motta

    Publicado por: • 20 nov • Publicado em: A Vida como ela foi

     Um dos melhores e mais divertidos contadores de histórias que conheço do passado e do presente e quiçá do futuro é o jornalista Paulo Motta. Ele construiu um personagem impagável, o tio Demenciano. Fiquei com inveja do Paulo. Este é um dos causos que vai para seu próximo livro. Quando sair do prelo aviso a cristandade. Virão Três Reis Magros para saudar a boa nova. O A Vida de hoje fica com ele.

     Certa feita, Demêncio Ventana, meu tio em pó – foi torrado e cremado – estava no bolicho do Olinto, na beira dos trilhos, em Conde Porto Alegre, distrito de São Borja, golpeando um trago de canha num anoitecer gelado de junho, contando e ouvindo causos de assombração com o Olinto e compadre Corvinho, já falecido também. Lá pelas tantas lhe roncou nas tripas, montou no zaino velho e se foram pras casas, seguidos pelo guaipeca.

     Já noite fechada, quando chegou na primeira porteira, o gaudério ouviu do cachorro:

     – Mas que tal esse frio, hein, Demêncio?

     Assustado, deu patas ao cavalo até a próxima porteira, uns duzentos metros dali, quando o cavalo virou o pescoço e disse:

     – Mas que cagaço esse cachorro fiadaputa nos deu, Demêncio velho!

     Conseguiu chegar borrado no rancho do compadre Juca Perez – légua e meia das casas – e apeou pra limpar as bombachas. Compadre Juca Perez dormia, borracho, num catre no galpão. Tio Demêncio se lavou, botou as bombachas cagadas no Juca Perez, vestiu as bombachas limpas dele e se foi, se foi, se foi.

     Na tardinha do outro dia, voltou pra dar explicação pro compadre Juca, mas só encontrou comadre Arminda, mateando, solita, na frente do rancho.    

     – Buenas, comadre, e o Juca?

     – Mas o senhor não sabe? O Juca está no hospital de doente da cabeça, lá na cidade.

     – Mas o que se passou com o vivente?

     – O homem velho acordou de uma borracheira, madrugada passada, com as bombachas cagadas e as cuecas limpas e enlouqueceu, criatura de Deus!

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    Em geral, chamamos de destino as asneiras que cometemos.

    • Arthur Schopenhauer •

  • Semana do lanche

    Publicado por: • 20 nov • Publicado em: Notas

     Lancherias tradicionais que vendem mais pão que recheio estão perdendo terreno para operações mais caprichadas. Custa mais caro, óbvio. Mas se você prefere aquelas formas molóides de pão de sanduíche de última com alguns resquícios de presunto e queijo paga mais caro que o caro de um produto digno desse nome.

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  • Leiteria do A

    Publicado por: • 20 nov • Publicado em: Notas

     E aponto de graça uma operação de primeiríssima qualidade na rua Venâncio Aires, quase esquina com a Santana. É a Leiteria, com uma grande variedade de pães artesanais e doces maravilhosos. Na hora de pagar, a moça do caixa perguntou se eu tinha sido bem atendido. Isso sim que é civilização.

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