Os esquecidos

6 mar • Caso do DiaNenhum comentário em Os esquecidos

  Há anos, décadas até, os jornais estão não só tentando ampliar o número de leitores como produzindo conteúdo que agrade as gerações mais novas X e Y, que, sabidamente, leem muito pouco e até não leem. Primeiro, começaram com as tiras, depois suplementos para o público infantil e até criando box com explicações sobre a matéria ao lado em linguagem bem simples.

  Vejo que hoje o próprio sentido das edições busca o público jovem, incluindo a linguagem adolescente e a gíria dos descolados, como se não existisse um público leitor que, não raro, repele esse enfoque. Ou seja, dá a ideia de que a maioria dos leitores tem esse perfil. E aí está o erro.

  Não precisa recorrer ao Google ou IBGE para saber que vivemos cada vez mais, e no acelerado. Então, o público maduro e idoso cresce cada vez mais. Portanto, os jornais deveriam focar também ou até mais esta maioria silenciosa, tão silenciosa que os estrategistas das empresas jornalísticas as ignoram.

  Quando dão alguma atenção a essa numerosa fatia, a dão sob forma de babaquices tipo “a melhor idade” ou tratam os velhos como crianças idosas que precisam de cuidados especiais, dando receitas de comidinhas e artifícios para driblar o Alza, cuidados com doenças usando a condescendente e cretina “terceira idade”, cadernos orientando o vovô para ter cuidado ao entrar no chuveiro para não cair, como se todos com um pé na cova estivessem e não seres que têm vida ativa e que leem mais do que a juventude e, the last but not the least, como consumidores que são.

  Então, quem é o esquecido aqui?

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