Patrão a bordo

23 jan • Caso do DiaNenhum comentário em Patrão a bordo

Meu Deus, pensei assim que soube da morte do ministro do STF Teori Zavascki, não vai dar para ler as redes sociais e assistir TV por um bocado de tempo. A teoria da conspiração, também conhecida como Síndrome de Chifre em Cabeça de Cavalo, vai dominar todo o universo da informação. E ela sempre é desencadeada por leigos no assunto, aviação no caso, e logo em seguida por “especialistas”, que são especialistas com aspas tingidos por falsa áurea de conhecimento.

A não ser que as investigações revelem alguma falha mecânica, a equação é simples, a famosa sucessão de eventos. Visibilidade horizontal zero ou perto de zero por causa da forte chuva, teto (vertical) baixo, ambos abaixo do limite de segurança, o aeroporto de Paratay não opera por instrumentos e nem fornece informações meteorológicas, um só piloto (não me consta que o King Air seja homologado para um só piloto), e a cereja do bolo, patrão a bordo.

É como ar condicionado de carro. Ele não precisa nem estar ligado para comer alguma potência do motor, como se brinca; ligado, come 10%. É só você olhar o aumento das RPM quando se liga, e depois desligue o compressor e observe como o giro cai.

Só pelo fato do patrão estar no avião, mesmo sem interferir no voo, há um fator psicológico pressionando a tripulação. Ah, mas o piloto era muito experiente. Sem visibilidade, a experiência de nada vale. Você fica como se cego fosse.

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