Eu e o Tupi

24 nov • A Vida como ela foiNenhum comentário em Eu e o Tupi

Interessante como funcionam os nossos pequenos mundos, principalmente quando estamos longe deles. Então os laços se reforçam. Nos anos 70, houve uma febre de adesivos em carros como “Alegrete baita chão”, “Bom é Campo Bom”, “Uruguaiana Tchê!” e outros.

Nascido em Muçum, o jornalista João Carlos Terlera, grande amigo e parceiro, foi mais longe. Ele criou um novo brasão para o município, duas mãos segurando o escorregadio peixe que parece uma cobra, e logo abaixo vinha o slogan “Ninguém segura Muçum!”. O primeiro que saiu da gráfica ornamentou o seu reluzente Karmann Ghia vermelho, rebatizado pelo Zé do bar do Português, na Praça da Matriz.

– É bonito Fernando Albrecht discursa no PLenário da Câmara de Vereadores ao receber o título de cidadão de Porto Alegre esse Karman Gira…

Por falar em minimundo. Lá na minha pequena São Vendelino, com o tranquilo arroio Forromeco e seus remansos, eu e meu cachorrinho fox Tupi nos refugiávamos e vivíamos um mundo só nosso. Um dos dias mais tristes da minha vida foi quando Tupi morreu, a quem enterrei numa caixa de sapatos e com uma cruz feita com dois sarrafos de madeira amarrados com barbante. Nossos fantasmas se cruzam até hoje, eles e o cheiro das pitangueiras da minha ilha particular de 2m X 2m num braço do arroio. Como eu te entendo, Marcel Proust.

Na parede da cozinha da minha casa, em São Vendelino, havia um singelo e tosco azulejo, no qual se lia esta quadrinha traduzida do alemão: Dizem que há um mundo lá fora/Um mundo que nunca vi/ Mas que me interessa esse mundo/Se meu mundo está todo aqui.

Foi o fecho do meu discurso de agradecimento que fiz na Câmara de Vereadores de Porto Alegre.

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