O cão antiaéreo, o retorno

2 ago • A Vida como ela foiNenhum comentário em O cão antiaéreo, o retorno

 Um cachorro abater um helicóptero em pleno voo, acreditam? Não há registro nas guerras que isso tivesse acontecido. Pois é bom acreditar. Aconteceu aqui no Rio Grande do Sul, na cidade de Tavares, no Litoral. Há anos, contei essa história no meu site com o título de Cão antiaéreo, e já tinha até esquecido o causo quando encontrei o médico Sérgio Bechelli, um dos passageiros do helicóptero abatido, que fez um reparo à antiga história. Ele vai a eventos médicos e sempre conta em o episódio, mostrando a reprodução do meu texto. O acontecido deu-se em 1986, num sábado de manhã, 11h. Bechelli, então secretário da Saúde do Estado, requisitou um helicóptero Esquilo do Governo do Estado para inaugurar uma unidade hospitalar naquele município, pleito de décadas. O comandante chamava-se Wilde Pacheco, já falecido; o outro passageiro era Germano Bonow, deputado e ex-secretário da Saúde do RS. Eles pousariam em uma área já preparada. Quando chegaram na cidade, quase toda a população estava lá.

 O problema é que soprava um Nordestão danado, então Pacheco achou por bem descer no terreno onde seria construído o novo prédio da prefeitura, protegido por um barranco de boa altura que serviria de quebra-vento para a aeronave de asas rotativas fazer o pouso com segurança. Só que não combinaram com a figura mais popular da cidade, um enorme cachorro de raça Cinamón ou grafia semelhante, que seria raça tipicamente gaúcha. O fila, me disse Bechelli, perto dele era um poodle.

 Para se ter uma ideia da ferocidade do animal, o tal cachorro tinha como hobby morder pneus de carros EM MOVIMENTO. Talvez por isso, o animal tenha sido atraído pelo rotor de cauda do helicóptero. O cão veio por trás e, rápido como um raio, subiu no barranco e se atirou no rotor. Óbvio que o tirou de ação. O Esquilo ficou girando como uma piorra até cair de uma altura de quatro metros. Quebrou o trem de pouso e sofreu outras avarias consideráveis, mas ninguém se feriu. Todos saíram do Esquilo rapidamente, com temor de incêndio.

 Essa é o causo. Germano Bonow também está aí para confirmar – aliás, foi ele quem me contou a história, originalmente. O reparo que Bechelli me fez, segunda-feira passada na portaria do Jornal do Comércio, foi esse:

 O Esquilo não despencou de uma altura de quatro metros. Foi de seis metros!

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